sábado, 30 de janeiro de 2016

Meta de Leitura 2016 - Helena de Troia

  - Memórias da mulher mais desejada do mundo - 
                                                            Francesca Petrizzo



Sinopse:
 "Um navio retorna de uma intensa batalha pelas costas gregas. Uma mulher observa o contorno do Peloponeso na penumbra do crepúsculo. É a jovem Helena, oferecida pelo pai ao conquistador Menelau para garantir a paz e sobrevivência de seu povo.
Uma fatídica decisão que seria carregada de tristeza e tragédia, porque Helena começa a buscar nos braços de outros aquilo que lhe fora negado.
Numa narrativa lírica e original, esta obra traz a versão de Helena da história lendária que é conhecida em todo o mundo. A disputa que originou a guerra de Troia.
De sua infância em Esparta aos anos turbulentos de sua união com Menelau e a fuga com Páris e todas as suas consequências. A vida de uma mulher que estava destinada ao poder, mas era movida a paixão e seu amor provocou uma das guerras mais famosas de todos os tempos."


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Há várias histórias e finais para esta lendária personagem. Mas a autora nos mostra uma Helena menina e mulher, repleta de conflitos e fantasmas, iludida e desiludida, fraca e forte, bela e feia, comum e extraordinária.

"[...] Helena de Troia. Não mais de Esparta; não mais da Grécia. De Troia."


Helena a princesa desprezada por seus pais e seus irmãos. Esquecida e ao mesmo tempo uma jóia a ser vendida para salvar seu reino.

Raptada por Teseu, medos agora assombram a pequena Helena. Sua paixão platônica por seu sentinela, que por toda sua vida será seu fantasma sem nome.


Helena, quando moça, sabia o poder que tinha; a meu ver, de nada tinha de inocente. Em busca de um amor verdadeiro só desfrutou de paixões.

Diomedes "envelheceríamos juntos, num palácio não muito diferente daquele; morreríamos juntos". Será sua paixão ou seu amor? Pobre Helena!

Aquiles "tinha a pele dourada cor de mel, os cabelos pouca coisa mais escuros, olhos cambiantes do verde ao azul." Helena não poupava esforços, logo estava nos braços deste belo homem, que na decorrente história, podemos dizer, foi seu céu e seu inferno, sua vida e sua morte.

Helena relata sua vida, seus amores por uma ótica tão poética, quase acreditei que ela era vitima das armadilhas do destino.

Tão preocupada em ser amada consegue ver que "Menelau era um homem bom... A pena foi o primeiro sentimento que meu marido me inspirou... Ombros caídos, pernas curtas... Menelau é um parvo."

Vejo neste livro duas vítimas de ganância, soberba e ambição: Helena e Menelau.

"Helena feita de pedra e fogo." Hermione nasce, mas também é desprezada e esquecida, pequena criança que em breve seria abandonada, por Helena, a louca, a bela.

"Páris, filho de Príamo... com ombros musculosos, mão bonitas..." - nem será necessário comentar, lá estava Helena apaixonada, e de tanto amor abandonou sua filha, seu lar e foi buscar sua felicidade em outros mares. Será?




Conhecer Troia, mudar o rumo da história, talvez ali Helena encontraria o verdadeiro amor, nos braços do seu amado. Mas Páris de nada tem de diferente de outros homens que vê Helena apenas como diversão, conhece o desprezo e tudo que já sabia tanto em Esparta como em Troia.

Cassandra, a sacerdotisa, proferia: "O fogo. Morrerão no desastre do fogo dela. Todos vocês!..." Agamêmnon, na sua ganância, usa de desculpa a fuga da esposa de seu irmão e invade, sem dó, a bela Troia. Dez anos de luta, mortes e tramas, até que na inocência Troia é vencida!

Neste período, nossa bela Helena diz que agora conhece o verdadeiro amor. Já digo que não me convenceu, desculpem os mais românticos, mas Helena chega num ponto que de inocente não tem nada.

Pois é no meio disto tudo, que Heitor se casa com uma hitita, que lhe dá um filho, o futuro herdeiro de Troia. Heitor apesar de ser o mais puro dos personagens mantém uma bela amante.

A morte passeia por Troia e não se incomoda de levar os soldados e os nobres. E o coração de Helena sofre, perde seu amor, seus sonhos e também sua sorte.

"Era tão belo seu corpo, mesmo morto.Tudo era belo nele, meu último, perdido amor..." Heitor se foi e os sonhos de muitos também.

"...a pira de Aquiles, ouvido os lamentos, assistido aos jogos fúnebres dos gregos..." a morte também chegou ao belo Aquiles, pelas mãos mais belas que ele conheceu.


Menelau tem seu prêmio de volta e seu irmão a vitória, Troia incendiada. Helena com seus fantasmas busca as águas mais profundas.

"Alcancei o mar com Diomedes... e seu rosto belíssimo e feroz, cheio de uma tristeza antiga. Meu triste, meu doce Diomedes. Nossas mãos de entrelaçaram; as ondas vieram quebrar-se aos nossos pés."

A autora busca uma docilidade para Helena, mas não consegui ver isto nesta personagem. Nem fragilidade, inocência ou pureza, só consegui ver uma mulher que usava sua beleza, para ter posse de tudo e de todos.
 

Recomendo a leitura de - Ilíada de Homero -
 

domingo, 24 de janeiro de 2016

Machado de Assis

Olá pessoal!


“A leitura desses contos é uma viagem surpreendente para um mundo de sentimentos contraditórios, narrados com talento, ironia e sutileza incomparáveis.
Conhecer Machado significa arriscar-se a perder, como ele, todas as ilusões. Mas o que se ganha no meio do caminho não é pouco – e isso é o mais importante.”

- Contos de Machado de Assis – O Encanto do Conto – Difusão Cultural do Livro - Ilustrados por Maurício Veneza - 

 07 contos maravilhosos




Um dos contos que mais gosto – “Um Apólogo” – este faz parte do livro Várias Histórias – de 1885 – 

 
“Apólogo" é a palavra que define uma alegoria, em que as coisas e os bichos falam.

Uma história curta, um debate de argumentos entre um novelo de linha e uma agulha, personificações dos valores e comportamentos de um sistema socioeconômico. 

Numa perfeição ímpar, Machado nos leva ao universo da infância e da adolescência, com os contos:

“Conto de Escola” (1885) – Este conta a historia do garoto Pilar, que é introduzido no mundo da corrupção e delação. Com final surpreendente, no olhar de um menino.

“Umas Férias” (1906) – Machado com sutileza expõe a condição humana, narrado por um menino de nome José Martins, num dia de aula foi chamado, à alegria de umas férias meio que, fora de hora e com sua imaginação foi todo feliz pra casa. E mais uma vez, Machado nos causa surpresa! Pode acreditar , foi pra José as férias mais sem gosto e não via a hora de voltar à escola.

“Uns Braços” (1885) – Um dos contos mais famosos de Machado.Inácio descobre a paixão, que por sinal proibida, coisas de adolescente e acreditem com uma mulher mais velha e casada!
E no decorrer do conto nosso autor deixa a dúvida se o que aconteceu foi real, ou fruto da imaginação desse jovem.

Já no conto “Cantiga de Esponsais” (1883), o melancólico Mestre Romão, um idealista que sofre por não conseguir se realizar e carrega um sonho, quando literalmente consegue, sua vida o trai. 

“O Relógio de Ouro” (1873) – pertence ao período romântico do nosso autor – Carregado de suspense, nosso nobre autor nos leva por onde quer. Foge um pouco de seu estilo.
Sr.Luís Negreiros tem muito a nos dizer, ou será sua esposa? Mas, a pergunta é – de quem é O relógio de Ouro? – e saiba queridos amigos, tudo está esclarecido num simples bilhete. Esse Machado de Assis!

“A Carteira” (1884) é da fase mais madura de Machado. Honório um advogado, que gasta além da conta, para satisfazer as vontades de sua esposa. Depara-se com uma situação, da qual alguns de nós, ou algum conhecido já passou. Achou uma carteira. Quer dizer não uma carteira, mas A Carteira. Recheada de dinheiro, ele fica dividido entre o dever e o desejo.

Com muita ironia Machado nos dá as respostas, envolvendo a carteira perdida, seu amigo Gustavo , Dona Amélia e Honório a maior vitima.


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 Joaquim Maria Machado de Assis, cronista, contista, dramaturgo, jornalista, poeta, novelista, romancista, crítico e ensaísta, nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 21 de junho de 1839. Considerado o maior romancista brasileiro.

Extraordinário contista,publica Papéis Avulsos em 1882, Histórias sem data(1884), Várias Histórias (1896), Páginas Recolhidas (1889), e Relíquias da casa velha (1906).



quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

"Os Contos de Beedle, o Bardo"

“Os contos de Beedle, o Bardo”, escrito por J. K. Rowling, era o livro que faltava para completar, mais um pouco, do universo de Harry Potter! Já começo super recomendando-o. Uma leitura muito tranquila e fácil de compreender.

O livro possui 5 contos, comentados no final pelo queridíssimo Alvo Dumbledore, o que deixa ainda melhor toda a magia e encanto do livro. Desde a capa, o resumo no final e todo seu conteúdo nos transportam, novamente, para esse mundo que conquistou, e ainda conquista, tantas pessoas.

Os contos são os seguintes: O Bruxo e o Caldeirão Saltitante; A Fonte da Sorte; O Coração Peludo do Mago; Babbity, a Coelha, e seu Toco Gargalhante; O Conto dos Três Irmãos. Como são contos, não vou entrar em detalhes, mas cada um possui um ponto forte, como acontece nos nossos contos de fadas. O mais conhecido é “O Conto dos Três Irmãos”, em que se trata sobre as relíquias da morte, tão falado nos livros do Harry.

O conto “O coração peludo do mago”, muito me fez lembrar da expressão “coração peludo”. E realmente tem tudo a ver… Essa expressão é usada quando alguém pensa algo que seja negativo, sem sentimentos. Diria que o conto é meio macabro, mas estamos falando de Harry Potter e tudo o que o envolve!


Vale dizer que o livro foi traduzido das runas originais por Hermione Granger (nesta versão mais atual), que acrescentou os comentários de Dumbledore, gentilmente cedidos pela Profª Minerva McGonagall. É simplesmente encantador!

E você? Já leu estes contos? O que achou?