terça-feira, 12 de abril de 2016

Orgulho e Preconceito

'Heroínas de Jane Austen'




Continuando nossa jornada pelo mundo Austen, junto com o grupo 'Heroínas de Jane Austen', Patricia , Ale Dossena , Marcia e Leila

Esta obra conta a história da família Bennet, composta pelo Mr Bennet, a senhora Mrs Bennet e suas cinco filhas: Jane, Elizabeth, Mary, Kitty e Lydia. Uma família igual a tantas outras, mas com um encantamento ímpar.

A Mrs Bennet passa o dia a pensar como casar as cinco filhas. Como era de costume na época, toda herança era herdada pelo filho e, esta família, tinha cinco filhas. Sendo assim, toda herança iria para um parente distante no caso seria para Mr.William Collin, primo do Mr Bennet, e as meninas ficariam na pobreza.

Este processo se chama Primogenitura, que "é a tradição comum de herança de toda a riqueza, estado ou função dos pais pelo primeiro filho, ou, na falta deste, por parentes próximos, de forma a manter o status da linhagem familiar."

Como mãe zelosa, Mrs. Bennet, não poupa esforços para fazer bons casamentos para suas filhas, e suas preocupações tem uma boa razão.

Vamos lembrar que no século XIX a Inglaterra passava por grandes mudanças como a Revolução Industrial, as guerras Napoleônicas , as loucuras do Rei George III. Este período foi chamado de Regência. Foi uma era de transição entre a Era Georgiana e a Era Vitoriana.

Neste período o lar passa a ser insuscetível de corrupção, lugar puro e sagrado. A mulher tem como obrigação preservar a harmonia e ordem do mesmo. Passa a ser a guardiã da moral e dos bons costumes, tudo de errado que acontecia era culpa da mulher.

Então Mrs. Bennet fazia de tudo para que seu lar não fosse à desgraça ou virasse motivo de falatório.

Já para os homens a história era outra. Um homem solteiro se torna independente e consegue sobreviver de alguma forma, se não tem herança, ele pode ir em busca de uma posição, virar clérigo (Mr. Collin) e ser mantido por um patrono(a) (Lady Catherine de Bourgh), fazer carreira militar (Mr. Wickham) ou casar-se com uma donzela rica. 
Para uma mulher solteira e pobre a vida era mais difícil, ou se trabalhava de domestica, governanta e se caso tivesse instrução seria uma preceptora. Mas o caminho mais rápido seria arrumar um partido e garantir seu sustento. Aqui foi o caso de Charlotte Lucas, que aceitou casar-se com Mr Collins, garantindo seu sustento e status social, mesmo sem amor.
O glamour da Aristocracia estava em alta, assim também a pobreza. A política social era baseada na implantação de rígidos valores morais. Este período foi de grande desenvolvimento artístico e cultural. 

A valsa dominou os grandes salões. Logo, nos remete a entrada triunfante do Mr. Darcy e seus amigos, e neste ambiente, a fofoca rola solto, novos modelitos de vestidos e os adornos são visto com grande euforia. Neste ambiente se faz novos casais,  novos vizinhos, pessoas que estão a passeio pela cidade, até mesmo os forasteiros.

A aristocracia é bem desenhada no papel de Mr Darcy e de sua irmã Georgiana, por Mr.Bingley e suas irmãs, e por Lady Catherine de Bourgh e sua filha Anne. Estes viviam de suas heranças e rendas. Neste caso as mulheres estavam em vantagem, caso não chegasse a se casar tinham como se sustentar.
Porém as mulheres tinham grande preocupação em  arrumar casamento, para poder manter ou aumentar seu padrão e serem respeitáveis.
No decorrer da história não só vemos casais apaixonados, romances desfeitos, mas vemos virtudes e defeitos de uma sociedade. Através de seus personagens, Austen vai nos mostrando o comportamento da sociedade da época e com pitadas de ironia ela nos presentea com um belo romance.

Muitas donzelas ricas não tinham tanto caráter ou sentimentos nobres, as irmãs Bingley’s eram o retrato da inveja, da manipulação e arrogância.

Mr.Charles Bingley é charmoso, alegre, popular, mas se influencia facilmente pela opinião dos outros.

Mr Darcy seria o bom exemplo da sociedade, carinhoso com a família e amigos, homem rico, boa aparência, justo,  tímido, de sentimentos nobres, bom administrador, mas também têm suas falhas, algumas evidentes, como orgulho e arrogância.

Georgiana é inocente, pura e rica. Alvo fácil para alguns espertalhões.

Lady Catherine de Bourgh representa bem a classe alta, mulher dominadora, egoísta, gosta de ser servida e de humilhar até mesmo seus familiares, sua opinião tem que sempre prevalecer. Já sua filha Anne é uma moça fraca, se deixa dominar pela mãe, não tem vida própria.

Mr Collins é o tipo rato da sociedade, patético, interesseiro, marionete e se submete ser humilhado para garantir seus interesses.

Destaque para Mr.George Wickham, rapaz bonitão, charmoso, galanteador, golpista e interesseiro. Sutilmente este personagem também nos alerta que o país está em guerra.

Já na classe mais inferior, Jane não deixa por menos. Elizabeth Bennet, uma moça autoconfiante, amiga, preocupada com a moral de sua família, simpática e sem 'papas' na língua. Ela também se preocupava com uma estabilidade financeira, mas o casamento teria que ser por amor. Assim percebemos quando ela nega o pedido do Mr Collins.

Jane Bennet é a pureza, docilidade e timidez em pessoa, mas tudo que é demais não é bom. Quase que ela perde seu grande amor (Mr Bingley).

Mary Bennet é a mais culta da família, mas lhe falta um certo charme e bom gosto. Aqui Jane deixa claro como a sociedade não vê com bons olhos uma mulher culta e pobre.

Kitty é a que menos tem personalidade, é fútil, teimosa e vive a sombra de Lydia.

Lydia é volúvel ,teimosa e oportunista. Mesmo desonrando a família, não sente nenhum remorso de suas atitudes, desde que leve algumas vantagens tudo é glamour para esta mocinha.

Mrs Bennet é a futilidade em pessoa, muito ansiosa e de pouca inteligência  faz a família passar por grandes embaraços.

Mr Bennet homem culto, de uma paciência ímpar, pai zeloso e bom.

Nesta mistura de verdades e mentiras, defeitos e qualidades, há duas histórias de amor com casais apaixonados, amor pela família, amor de irmãos, amizades verdadeiras e outras não, cada um buscando a sua maneira o melhor para si e para outros.


Jane Austen na sua delicadeza nos mostra que o Amor muda as pessoas. 
                                                                                                                                                                        By Nice Sestari

É isso pessoal ! Até breve com Mansfield Park.  Resenha aqui
 Leia também: Razão e Sensibilidade 

6 comentários:

  1. Adorei a resenha e toda a contextualização histórica dada. Adoro esse mergulho no passado que as obras de Austen proporciona.

    Bjs,

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    1. Obrigada Patricia Dias!Demorei pra fazer a resenha por isso, resolvi estudar um pouco a época em que Jane Austen viveu. Está sendo recompensador.

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  2. Amiga, você tá arrasando nesses trabalhos!!! Adorei relembrar O&P, um dos meus preferidos de Austen. Deu até um respiro da leitura arrastada de Emma...rs.
    Beijos!

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    1. Tenho muito que aprender!!!!! O&P também é um dos meus preferidos. Olha Emma está difícil,mas vencerei. Acredito que no final iremos gostar muito.

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  3. Todos os livros de Jane Austen são bons, meu preferido é Persuasão... Releio de vez em quando, assim viajo a outros tempos, onde a educação era importante, as pessoas pensavam muito antes de falar, mediam as palavras com medo do efeito que elas poderiam fazer e de serem mal interpretadas. Acho que falta muito disso hoje em dia.

    beijosssssss

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    1. Obrigada Paula Mello pelo carinho!Persuasão está na minha listinha deste ano. Verdade, tudo naquela época era com mais respeito e a palavra tinha grande peso na vida das pessoas! Bjs Nice

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